sábado, 23 de agosto de 2014

Sentinela

Todo mundo se levanta
Alguns ficam em pé
Outros caem
E caem
E novamente caem
E a queda
Sempre esbarra em algo.
Enfim, depende de como caímos
Esse é o segredo
Já que sempre cairemos
Uns menos
Outros mais
Alguns sentirão o peso em suas faces
E seus rostos serão impressos em terra.
Outros de tão ágeis nem o solo sentirão.
E fingirão que tudo não passou de um tropeço
E não aprenderão
Como cair faz bem
E, por isso,
Cairão novamente.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Dom

Sabe quando a vida te bate forte?
E seu único desejo é que a brisa o assole?
Nesses dias você quer que tudo passe
E que te ofereçam um café
Que queime sua garganta
Só pra lembrar a sua dor
Que existem diferentes tipos dela.
E o bom é que a maioria tem cura.
E nada de café ou brisa
Só mais um soco
E o fel
Como se os braços da vida pudessem ter piedade.
E o que fazer?
Correr?
Para onde?
A vida tem esse estranho dom

Ela sempre nos acha.

sábado, 16 de novembro de 2013

Contos de um perdedor perdido.



João atravessou a rua sem olhar para os lados. Queria um carro, podia ser um pequeno, que o acertasse em cheio e deixasse seu corpo pelo chão. Precisava enganar as leis celestiais, sempre foi católico e sabia que o suicídio lhe tiraria a possibilidade de céu.
Acreditava com fé inabalável que merecia o céu, uma vez que, o inferno já estava vivendo aqui, no agora, há muito tempo.
 Nada de carro! Esse era outro dos problemas de sua vida. Nada acontecia. Podia ser esse um problema que só existia porque morava em uma cidade pequena. Se quisesse ser atropelado em São Paulo ou no Rio seu corpo já estaria duro, enterrado e frio.
Não que João tivesse motivos para querer a morte. Faltavam motivos para querer a vida. Nada chamava sua atenção.
Foi um menino interessante, achavam-no autista ou com alguma síndrome social nunca comprovada mesmo sendo avaliado por muitos especialistas, nada! Reparem como sua vida flutua sobre o nada. Até Dona Chica, a benzedeira, deu-lhe um banho de alecrim e urtiga em uma tarde chuvosa de dezembro bem no alto de seus 13 anos e nem direi o que aconteceu, espero a perspicácia de você avido leitor.
Ganhou cachorro, time para torcer, festa a fantasia. Não se resolveu por nada e a vida ia.
Casou, descasou, viu sua mulher casar novamente e pasmem nada.
Parece que seu único desejo era o céu. Poder se encontrar com Deus e dizer-lhe cara a cara umas boas verdades


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cânticos de um perdedor perdido.


A queda pareceu infinita
Não que a dor seja eterna
Nunca é.
A culpa, a insegurança
O medo, e a decepção
Parecem absolutos.
Nesses dias o mundo é preto e branco
E o escuro companhia.
A cerveja perdeu o gosto
E o amor não dá nem pro gasto.
Levantar é um sonho
O chão realidade
Sentimos a força de nossas fraquezas
Nossa humanidade
E restam poucas coisas
Entre elas
Seguir.

Esperando por uma pitada de redenção.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Moedas!

 Nos últimos dias tenho lido, discutido, conversado e observado de longe esse grande movimento popular de ir às ruas e fazer-se ouvido. Entre as pessoas com que tenho conversado as opiniões divergem e mesmo quando estão em um mesmo lado tangenciam-se. Existem os que apoiam o movimento e dentre esses, os que apoiam a presidência e os que querem a senhora Dilma fora. Na outra ponta os que não apoiam o movimento por não sentirem-se representados por eles e na mesma medida pude observar pessoas favoráveis e contrarias ao governo atual.
Entre essas pessoas uma me disse uma coisa que tenho pensado com vigor e aqui transcrevo sua fala: “a culpa não é da presidente, mas assim como o Lula ela tem se escondido do enfrentamento, ela deveria vir e dizer. Esperamos dela uma posição”.
Precisamos sim fazer uma análise sobre a década em que somos direcionados pela política petista e tudo o que ela significou. Tenho a impressão que esperávamos há dez anos um governo messiânico na figura do retirante, operário e sindicalista que chegou a presidência. Dizíamos que o Lula era o povo brasileiro e aos poucos descobrimos que não. Por uma série de fatores percebemos que os partidos criam projetos políticos para o país e pior, para a própria legenda, utilizando-se dos mecanismos falhos da democracia. Que o PT tem um projeto de 20 anos para o Brasil é tão verdadeiro como dizer que o PMDB tem um projeto para o MS o que o PSDB tem um para São Paulo, são mecanismo da democracia e, ainda assim, prefiro a democracia a uma ditadura que graças a Deus não presenciei em loco.
O Partido dos Trabalhadores têm gritado aos quatro ventos que ascendeu não sei quantos milhões de pessoas à classe média e têm sido o único partido/projeto político que combateu a pobreza e a miséria, puro discurso político que não é falho, pois há alguns meses na propaganda psdbista o Aécio reivindicou ao PSDB a primazia dos programas de assistência familiar. O que quero dizer é que a politica partidária é “farinha do mesmo saco” e não quero cair nessa vala, acho que mudanças devem ser realizadas. Que as ruas devem sim configurar a MAIOR ARQUIBANCADA do Brasil. Mas, por outro lado, a análise deve ser profunda e não superficial como tem sido.
Por exemplo, circula um vídeo do Ronaldo, ex-jogador de futebol, dizendo que copa não se faz com hospitais, meu amigo, se você já assistiu a uma partida de futebol sabe que ele tem razão, não se joga bola entra macas. Retiramos o contexto das palavras dele para dizer isso ou aquilo. O básico é saber o contexto sempre. Sim podíamos não realizar uma copa e investir esse dinheiro em outras questões básicas, mas essa é uma discussão maior, e não é o citado jogador que têm que respondê-la.
Devemos sim pedir que sejam averiguados os gastos nos estádios quem têm se beneficiado deles e por que o governo não tem realizado questões salutares na vida das pessoas como educação, saúde, transporte e segurança de qualidade e punir que deva ser punido.
O grande problema é que a corrupção é endêmica no Brasil. Não são só os políticos que se beneficiam dela. Quando trabalhamos por 50 reais para eles no dia da eleição estamos fazendo uso da máquina da corrupção e como desculpa dizemos “peguei sim, mas não votei nele” perdemos o direito a discussão, quando estamos em cargos políticos barganhados por apoio estamos fazendo o que? E quando furamos a fila ou tiramos vantagem deliberadamente de alguma coisa pública, poderia continuar citando uma série de outras coisas, mas resumo questionando será que estamos fazendo mesmo a nossa parte?
Cheguei à conclusão que não é por vinte centavos, pois, muitas dessas moedas também estão em nossos bolsos.
 #vempraruamasvenhaporinteiro

sábado, 2 de março de 2013

Intolerância a Lactose



Não! Eu não odeio leite, muito menos seus derivados.
Meu corpo que não reage bem a suas propriedades.
Minha raiva tem outro alvo.
São as malas, as cuecas, a impunidade.
O gastar desmedido com copas, olimpíadas, merenda escolar...
Esse superfaturar. A cultura do jeitinho brasileiro.
Companheiro DaMata como isso é verdadeiro.
Como estamos propensos a vender nossa dignidade.
Como estamos sempre revoltados no lugar comum.
Vemos mortes, tragédias, todas anunciadas pela falta de fiscalização, seja em boate, estádio, hospital e corremos paras as redes sociais. Nelas deixamos uma penúria de opiniões cheias de discurso e vazias de ações.
Paladinos de uma justiça covarde. Daquelas de heróis mascarados, pois, nem nossos vereadores sabemos quem são. E o triste fato é que a maioria deles é bem como nós.
_ Nós? Dirão.
_ Sim, nós. Responderei.
Esse nós que aceita propina calado por pouco, barato como tubaína, furador de fila, conivente com a depredação do patrimônio público. Esse nós da rasteira no companheiro de serviço, da falta de caráter na fila, do pouco respeito no trânsito, da intolerância ao diferente, do dogmatismo e da maior de nossa falsa modéstia culpar o outro.
Desculpe! Esse nós existe em mim em você e cresce um pouco por dia.
Dirão: _ Todos fazem!
Não tenho respostas para isso. Fazem mesmo, eu faço, só não acho certo.
Só não quero que venham dizer que não beber leite é um problema!
Que se dane a intolerância a lactose tenho problemas maiores. 



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Inércia


Mesmo com palavras na garganta
Ela nada disse.
Palavras perdem o sentido
Quando o outro não quer ouvi-las
O som de seus batimentos era sinfonia
Ele queria olhar para trás.
Pegá-la pela cintura e tê-la
Não seria essa a primeira vez em que a tomaria pelos braços.
Um olhar. Uma palavra.
Pareceu pouco. Era o que faltava.
Mas o nó na garganta ou o pescoço austero em riste
Ponderavam.
Que mesmo o amor não pode tudo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Desejo da Saudade


Quis escrever algo com luar.
Pensei numa rima em que você
Seria a métrica perfeita.
Busquei inspiração.
Mas não sou um poeta que consiga
No belo das palavras, lhe justificar.
Ouvi Chico, Hermanos, Caetano, Gil.
Joguei búzios, cartas, tarô.
Fiz preces das quais nem em cinco idas a Compostela
Ressarciria todos os santos, divindades e Orixás.
Como pagamento
Descreveria a quem de direito fosse
Seus olhos e seu sorriso.
Não que haja justiça;
O testemunho é um testamento.
Que se perde no tempo
Pois quando estou com você
Até mesmo a vida é Atemporal.
Como se partilhássemos
Algo maior do que éramos
Pois, hoje, somos.











quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Dúvida pertinente!


Era a primeira vez em uma semana que Joana conseguia comer em frente aos colegas. Ainda estava muito envergonhada com os últimos acontecimentos. Houve dias em que esteve aborrecida com seus amigos pela infinidade de formas depreciativas que eles conseguiam chamá-la.
Joana era uma bela adolescente de 13 anos. Estava transformando-se em uma linda garota. Seus cabelos eram negros, sua pele de um branco amendoado e seus lábios apresentava contornos marcantes. Atrevo-me a dizer que em breve tornar-se-ia uma linda mulher.
Algo que não a poupava dos insultos juvenis. Estava se acostumando com os tradicionais novos nomes: Joana Boca de Ferro, Freio de Burro, Boca de Lata. Até seus melhores amigos estavam passando dos limites. Houve dias em que seu único desejo era cavar um buraco fundo na cerâmica azul da sala de aula em que ela passava partes de seus dias, cavar até que a magna a transformasse em pó. Outras vezes queria falar mal, correr, bater, mas só mantinha a cabeça baixa e os olhos vagos, como quem diz: “isso um dia acaba é só não ligar”. E de verdade estava acabando.
Comeu com gosto um lanche vendido na cantina escolar e um suco de maça, a maça deveria ser das vermelhas como sangue, havia algumas bolachas de nata trazidas de casa. Trazia todos os dias algo de sua casa, durante essa semana fatídica quem se beneficio de todo esse infortúnio foi Arthur. Seu amigo roliço, um garoto de traços normais, por outro lado devia ter uns vinte quilos a mais que a maioria dos alunos de sua idade. Ele mais que qualquer outro, sabia como a semana de sua amiga estava horrível. Pareciam mais próximos, mais chegados. Ele estava adorando a companhia dela, sempre os dois por uma semana. A melhor de sua vida.
Ela nunca sentiu que aquele menino que todos zuavam podia ser um amigo tão leal e legal. Achava-o até bonito. Ele por outro lado, nunca teve coragem de aproximar-se de alguém tão popular como ela. Mesmo sendo colegas de classe/amigos desde o jardim, eram distantes. Essa semana eram atrapalhados somente pelos insultos e olhares zombeteiros.
 Quero ressaltar que algumas coisas podem mudar, Joana deixaria de ser o centro das gozações em pouco tempo. Caso não aparecesse outra Boca de lata, orelha de bater bolo, todas as grandes idéias mirabolantes dos meninos do fundo da sala voltariam à rolha de poço, barriga de leitão, etc. Se isso acontecesse, de que lado ficar. Como virar as costas a alguém que passou a exercer em sua vida um papel tão importante? Faltava pouco e ela sabia disso. As colegas estavam reintegrando à antiga amiga. Seria queimação de filme andar com o gordinho.
Os dentes não doíam mais, por outro lado o coração estava aquecido por uma sensação estranha. Acalmava-se somente ao lado de Arthur. O fim de semana estava chegando e com ele um convite muito especial. Um cinema. Como dizer não aquele fofo? Como aceitar e esconder das amigas? Como eram amigas se não estiveram com ela quando ela precisou? Como saber que à hora era essa? Como era estar afim de alguém? Como saber, como fazer? Eram muitas perguntas, estava sem saída. Resolveu correr. Ainda recebeu um SMS do pequeno apaixonado pendido desculpas e querendo recuperar a amizade da semana anterior.
Como responder, ela ainda tinha treze anos!
    
    

domingo, 25 de novembro de 2012

Arte Final


As cores com as quais você me pinta
São sempre escuras.
Será que amo tanto que não sei amar¿
Estar com as rosas é simples.
Queira-me com meus espinhos.
E sim,
O tempo não cura tudo.
E mesmo curando
Demoraria um tempo
Que não tenho.
Tem muitas coisas, inclusive uma vontade
Quase surreal de você.
Mesmo que seus rascunho nunca passem disso.